Características da economia medieval dos séculos IV ao X - Retração e estagnação I
Olá medieval history lovers! Tudo bem?
Nesta postagem vou trazer algumas informações sobre como se organizava a economia na sociedade medieval europeia ocidental entre o período que vai dos séculos IV ao X. Como você pode observar pelo título, esse momento histórico é marcado pela retração da economia e pela estagnação. Vamos estudar com mais detalhes?
Primeiro, é preciso que você entenda que este é um momento em que a Europa vive um processo de escassez endêmica. Existe uma pequena produtividade agrícola e artesanal, o que leva a uma baixa disponibilidade de bens de consumo, o que ocasiona a retração do comércio e da economia monetária. Para entender melhor, observe a figura abaixo:
Fonte: monologosbymarciamedeiros.blogspot.com
Esse também é o período da chamada economia dominial. Nesse contexto, a terra cultivada é dividida em duas áreas. A terra indominicata (também conhecida como reserva senhorial), é aquela explorada para o benefício do senhor feudal; sendo que as pastagens e áreas florestais que existem nessa reserva são de uso coletivo. A segunda área em que a terra cultivada é dividida é a terra mansionaria, ou seja, o conjunto das pequenas explorações camponesas.
A terra mansionaria é composta pela menor unidade produtiva e fiscal do território senhorial, a qual recebe o nome de mansus. É daí que a família camponesa retira a sua subsistência. Os mansus são divididos em duas categorias: ingenuiles, cultivados por camponeses livres; e serviles, cultivados por escravos. Ambas as categorias são obrigadas ao pagamento de impostos, sendo que a cobrança era feita em dinheiro e/ou espécie (no caso, parte da produção obtida na colheita).
São muitos nomes, não é? Acompanhe a figura para sintetizar as informações de maneira mais adequada:
Fonte: monologosbymarciamedeiros.blogspot.com
Além de trabalhar nos mansus, camponeses livres e escravos eram obrigados a prestar trabalho na reserva senhorial, em troca do mansi. Esse tipo de prestação de serviço obrigatório é conhecido historicamente como corveia. Os senhores feudais o exigiam por duas razões:
1) dificuldade em obter mão-de-obra;
2) impossibilidade de pagar trabalhadores.
A prestação de serviço na reserva senhorial se constitui na essência do regime da economia dominial.
Nesse momento histórico, as grandes propriedades pertencem ao Império Carolíngio, aos nobres mais poderosos e à Igreja católica, cujos domínios não se fracionam por conta do celibato clerical.
Existem registros históricos que indicam que escravos também eram utilizados no período que vai dos séculos IV ao X, mas não se sabe exatamente com que intensidade. Sabe-se porém, que eles eram poucos e isso por três motivos distintos:
a) o fim das guerras de conquistas que eram uma característica do Império Romano;
b) o fato de o cristianismo proibir a escravidão de cristãos por outros cristãos;
c) o custo para adquirir um escravo era muito alto.
Na próxima postagem vou trazer para vocês alguns detalhes interessantes sobre o domínio senhorial.
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Para saber mais:
Hilário Franco Júnior - Idade Média: nascimento do Ocidente
Georges Duby - Senhores e camponeses
José Rivair de Macedo - Viver nas cidades medievais
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