Características da economia medieval dos séculos IV ao X - Retração e estagnação II
Olá medieval history lovers! Tudo bem?
Neste post vamos dar continuidade às explicações sobre a economia medieval no período que compreende os séculos IV ao X. Já vou iniciar trazendo uma nova palavra em latim para você conhecer! É importante que você saiba que, neste momento histórico, se generaliza a figura do servi casati, um termo que significa, "servo da casa". É daí que se origina a expressão servo, pela qual os trabalhadores medievais, principalmente do campo, passaram a ser conhecidos.
Fonte: World History Encyclopedia
Nesse momento histórico a terra é trabalhada a partir de dois sistemas: bienal e trienal. No primeiro, divide-se a terra em duas partes e se planta em uma, deixando a segunda parte em pousio. No segundo sistema, se divide a terra em três partes, plantando-se em duas e deixando a terceira em descanso. Assim, a terra podia se recuperar e a produzir mais.
Outras inovações do período foram uma nova forma de atrelagem de animais e o uso da charrua, uma espécie de arado de ferro capaz de trabalhar a terra alcançando maior profundidade.
O setor industrial neste momento histórico se ressente por conta da fraqueza demográfica e pela baixa produção agrícola. Faltam mão-de-obra, consumidores e matéria-prima. Já as atividades comerciais também enfrentam um momento difícil. O comércio externo sofre com o bloqueio promovido pelas invasões muçulmanas, ainda que não tenha desaparecido completamente. O comércio interno estava limitado mas não paralisado. Isso quer dizer que quando um domínio tinha excedente de produção ele era comercializado.
A moeda tinha aqui os mesmos papéis que ela tem hoje... Aposto que você sabe quais são! Mas vamos conferir?
1) Instrumento de medida de valor;
2) Instrumento de troca;
3) Instrumento de reserva de valor.
Florim de ouro de 1347
Ah! Preciso explicar para você o que é o domínio, antes de fechar esta postagem! O domínio é a terra em exploração direta, a parte da reserva que alimenta o senhorio. Trata-se de uma economia essencialmente doméstica. Neste contexto, a família se torna quase que uma comunidade religiosa e vive em um disciplina bastante severa, limitando consumo e despesas.
Os direitos dos senhores eram bastante amplos e envolviam desde o poder de julgar as pessoas que viviam nos seus domínios até coletar multas e cobrar uma porção de impostos. Uma coisa interessante de observar é que o senhor mais rico não necessariamente é aquele que tem mais terras, mas aquele que é dono de moinhos e cobra uma taxa pelo seu uso, ou então que coleta o dízimo.
Os lucros dos senhores nesse contexto podem sofrer restrições, pois existe muita gente que vive as suas custas (os cavaleiros, por exemplo). É da responsabilidade do senhor conservar os edifícios e as ferramentas utilizadas no trabalho do campo e também fornecer os elementos necessários para sustentar a igreja.
Muitas vezes, se tornava mais vantajoso para um senhor feudal arrendar as terras que possuía do que cultivá-las. Mas de qualquer forma, o domínio é a mola mestra da economia senhorial e é a partir dele que se movimenta a economia medieval entre os séculos IV ao X.
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Para saber mais:
José Rivair de Macedo - Viver nas cidades medievais
Hilário Franco Júnior - Feudalismo.



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